Engenharia Genética - até onde nos pode levar?

Este blog foi criado no âmbito da disciplina de Biologia com o objectivo de promover discussões e debates sobre Engenharia Genética baseados nas informações à disposição no mesmo.

segunda-feira, abril 24, 2006

Milho doce insecticida


Os cientistas modificaram geneticamente o milho doce para produzir um veneno que mata insectos nocivos. Isto significa que o agricultor já não necessita de combater os insectos com insecticida. O milho geneticamente modificado chama-se milho Bt, porque o novo gene da planta provém da bactéria Bacillus thuringiensis.
Vantagens:
- O agricultor já não necessita de utilizar insecticida para matar os insectos. O ambiente circundante já não é, deste modo, exposto a grandes quantidades de insecticida nocivo.
- O agricultor já não necessita de percorrer os campos com um pulverizador de produto tóxico, máscara e vestuário protector.
Desvantagens:
- Existe o risco de os insectos indesejáveis desenvolverem tolerância ao veneno ou, por outras palavras, se tornarem resistentes. O milho geneticamente modificado envenena os insectos durante um período mais longo em que o agricultor se limita a pulverizar a cultura uma ou duas vezes. Deste modo, os insectos podem habituar-se ao veneno, e, se isso acontecer, tanto a pulverização como a utilização de milho Bt geneticamente modificado se tornam ineficazes.
- Existe o risco de se matarem outros insectos para além dos indesejáveis, como os insectos predadores que se alimentam dos insectos nocivos. Nos EUA, país que utiliza muito o milho Bt, existe um intenso debate dos seus efeitos nocivos sobre a bela borboleta Monarca.

sábado, abril 22, 2006

Implicações éticas dos transgénicos

O principal risco da disseminação do cultivo de transgénicos está na distância que há entre a complexidade dos seres vivos e o patamar alcançado pelo conhecimento científico. Podemos constatar quando estudamos a soja transgénica, onde poucos estudos foram realizados na sua transformação, conforme nos mostra a justificativa do projecto de lei editada pelo Deputado Elvino Bohn Gass:
“No caso da soja, por exemplo, os cientistas estudaram apenas 0,02% do que há para saber do genoma desse organismo, o que indica que, na manipulação genética que tem por objectivo conferir à planta a resistência ao herbicida Roundup - é essa a única novidade da soja transgénica, a substituição de vários herbicidas por um único produzido pela Monsanto, não havendo qualquer ganho em produtividade da cultura ou no valor nutricional do grão -, podem estar sendo modificadas outras características do organismo Foi o que aconteceu em 1989 no Japão, onde, para a produção de um suplemento alimentar, alterou-se geneticamente uma bactéria natural visando à produção mais eficiente de triptofano. A manipulação fez a bactéria produzir uma substância altamente tóxica, que só foi detectada quando o produto já estava no mercado. Adoeceram 5000 pessoas, 1500 se tornaram permanentemente inválidas e 37 morreram.”
A questão dos transgénicos deve ser analisada eticamente, e não analisada apenas na perspectiva económica. O homem, ao mexer no núcleo central de um gene, que é aquilo que o difere de um vegetal e de um animal, não pode esquecer da questão ética, do princípio da Precaução, estabelecido em acordos internacionais, como um princípio ético e que implica a responsabilidade pelas futuras gerações e pelo meio ambiente, que visa, principalmente, proteger a vida.