Engenharia Genética - até onde nos pode levar?

Este blog foi criado no âmbito da disciplina de Biologia com o objectivo de promover discussões e debates sobre Engenharia Genética baseados nas informações à disposição no mesmo.

segunda-feira, março 20, 2006

Riscos dos OGM

A tecnologia OGM é uma tecnologia repleta de riscos. Nós não temos controlo total sobre ela. A transferência de genes pode processar-se mal e serem inseridas características não desejadas. Pode também ocorrer mudança de expressão de genes. Por exemplo, numa variedade OGM de batata, foi introduzido um gene que induzia a produção de um toxina nas folhas da cultura de modo a fornecer resistência a ataques por determinados insectos. Esse gene acabou por passar a ter expressão também nos tubérculos, produzindo as mesmas toxinas e originando um problema de toxidade para a saúde humana e animal.
Outro problema de toxidade em saúde pública ocorreu com uma variedade de milho OGM designado “Starlink”. Também aqui, foi inserido um gene para conferir resistência a uma praga (uma lagarta que ataca as raízes do milho). Esse gene mostrou-se prejudicial à saúde humana causando reacções alérgicas! Foi imediatamente suspensa a comercialização do milho Starlink para consumo humano e ficou apenas legislado para consumo animal. Mas caiu no esquecimento o pormenor de que os seres humanos também se alimentam de carne, e as reacções alérgicas permanecerem. O milho Starlink foi então retirado definitivamente do mercado.
Os organismos OGM podem também criar problemas de resistência a antibióticos nos animais e seres humanos. Genes resistentes a antibióticos são por vezes usados em transferência genética. Se as bactérias que vivem no nosso organismo adquirirem esse ADN, podem tornar-se elas próprias resistentes aos antibióticos! Isto significa que ao ficarmos doentes por infecção bacteriana, o nosso organismo vai deixar de responder positivamente aos antibióticos receitados pelo médico. Ou seja, uma simples infecção pode tornar-se num grande pesadelo!
Poluição ambiental é outra das consequências dos organismos OGM. Ainda referindo o caso do milho Starlink, depois de ter sido apenas cultivado nos Estados Unidos da América numa área de 0.4% da área total de milho, apareceu em cerca de 10% de todos os lotes de milho testado. O transgene apareceu mais tarde noutras 80 variedades de milho e também noutros países como foi o caso do México, onde o cultivo OGM era proibido. Mais uma vez nos deparamos com uma situação de perda de controlo sobre tecnologia OGM. As barreiras de distância impostas entre campos OGM não funcionam. O pólen das plantas pode viajar até 180 km!
A poluição ambiental é também causada pela resistência a herbicidas. As plantas OGM resistentes a herbicidas fazem com que os cuidados de aplicação dos mesmo sejam reduzidos visto que a planta não sofre toxidade. Pode aplicar-se mais herbicida e mais vezes. Este facto deu origem às chamadas “super-infestantes” devido a posterior resistência induzida nas próprias plantas vizinhas. Contribui também para o aumento do risco da contaminação dos lençóis de água, para a destruição da fauna e de organismos úteis (joaninhas, abelhas, etc).
Por fim, é importante nunca esquecer o impacto sócio-económico que esta tecnologia poderá vir a ter. A dependência dos agricultores para com a industria da biotecnologia poderá tornar-se irreversível. As sementes são vendidas com contractos que impedem o agricultor de multiplicar a sua própria semente ou de comprar qualquer herbicida a outras indústrias. Está a gerar-se um novo monopólio das grandes corporações. Não existe nenhum seguro que cubra efeitos nefastos.

1 Comments:

At 8:39 da tarde, Blogger Cy said...

Parabéns pelo seu blog, é bastante interessante e educativo, pelo menos para mim, que adoro as ciências, sem duvida voltarei ao seu blog e, já agora, sou contra os OGM's excepto testados em laboratório para ajudar na evolução da ciência.

 

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