Engenharia Genética - até onde nos pode levar?

Este blog foi criado no âmbito da disciplina de Biologia com o objectivo de promover discussões e debates sobre Engenharia Genética baseados nas informações à disposição no mesmo.

quinta-feira, maio 18, 2006

Avaliação da segurança de milhos híbridos geneticamente modificados

A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos avalia a segurança de milhos híbridos geneticamente modificados
O Painel sobre Organismos Geneticamente Modificados da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) publicou na passada 6ª feira, dia 15 de Julho, quatro pareceres relativos à utilização de milhos híbridos geneticamente modificados na alimentação humana ou animal, às suas importações e processamento. Entre as variedades analisadas encontrava-se o milho híbrido MON863 x MON810, que já tinha sido avaliado em 2004. Dado que os pareceres dos peritos sobre a necessidade de dados específicos para esta variedade se tinham dividido e que não tinham conseguido chegar a uma conclusão sobre a avaliação da sua segurança, a EFSA requereu então a elaboração de um estudo suplementar de 90 dias em ratos, para ser considerado pelo Painel. Após a análise deste estudo submetido pelo candidato, o Painel concluiu que nem o milho MON863 x MON810, nem as outras variedades de milho híbrido geneticamente modificado avaliadas terão efeitos adversos das saúde humana ou animal ou no ambiente, no contexto dos estudos propostos.

segunda-feira, abril 24, 2006

Milho doce insecticida


Os cientistas modificaram geneticamente o milho doce para produzir um veneno que mata insectos nocivos. Isto significa que o agricultor já não necessita de combater os insectos com insecticida. O milho geneticamente modificado chama-se milho Bt, porque o novo gene da planta provém da bactéria Bacillus thuringiensis.
Vantagens:
- O agricultor já não necessita de utilizar insecticida para matar os insectos. O ambiente circundante já não é, deste modo, exposto a grandes quantidades de insecticida nocivo.
- O agricultor já não necessita de percorrer os campos com um pulverizador de produto tóxico, máscara e vestuário protector.
Desvantagens:
- Existe o risco de os insectos indesejáveis desenvolverem tolerância ao veneno ou, por outras palavras, se tornarem resistentes. O milho geneticamente modificado envenena os insectos durante um período mais longo em que o agricultor se limita a pulverizar a cultura uma ou duas vezes. Deste modo, os insectos podem habituar-se ao veneno, e, se isso acontecer, tanto a pulverização como a utilização de milho Bt geneticamente modificado se tornam ineficazes.
- Existe o risco de se matarem outros insectos para além dos indesejáveis, como os insectos predadores que se alimentam dos insectos nocivos. Nos EUA, país que utiliza muito o milho Bt, existe um intenso debate dos seus efeitos nocivos sobre a bela borboleta Monarca.

sábado, abril 22, 2006

Implicações éticas dos transgénicos

O principal risco da disseminação do cultivo de transgénicos está na distância que há entre a complexidade dos seres vivos e o patamar alcançado pelo conhecimento científico. Podemos constatar quando estudamos a soja transgénica, onde poucos estudos foram realizados na sua transformação, conforme nos mostra a justificativa do projecto de lei editada pelo Deputado Elvino Bohn Gass:
“No caso da soja, por exemplo, os cientistas estudaram apenas 0,02% do que há para saber do genoma desse organismo, o que indica que, na manipulação genética que tem por objectivo conferir à planta a resistência ao herbicida Roundup - é essa a única novidade da soja transgénica, a substituição de vários herbicidas por um único produzido pela Monsanto, não havendo qualquer ganho em produtividade da cultura ou no valor nutricional do grão -, podem estar sendo modificadas outras características do organismo Foi o que aconteceu em 1989 no Japão, onde, para a produção de um suplemento alimentar, alterou-se geneticamente uma bactéria natural visando à produção mais eficiente de triptofano. A manipulação fez a bactéria produzir uma substância altamente tóxica, que só foi detectada quando o produto já estava no mercado. Adoeceram 5000 pessoas, 1500 se tornaram permanentemente inválidas e 37 morreram.”
A questão dos transgénicos deve ser analisada eticamente, e não analisada apenas na perspectiva económica. O homem, ao mexer no núcleo central de um gene, que é aquilo que o difere de um vegetal e de um animal, não pode esquecer da questão ética, do princípio da Precaução, estabelecido em acordos internacionais, como um princípio ético e que implica a responsabilidade pelas futuras gerações e pelo meio ambiente, que visa, principalmente, proteger a vida.

terça-feira, março 28, 2006

Tomate de longa duração


O tomate modificado geneticamente para durar mais tempo foi o primeiro produto alimentar geneticamente modificado que os consumidores tiveram a possibilidade de adquirir. Este tomate foi lançado em 1994 no mercado dos EUA. É geneticamente modificado para se manter firme e fresco durante muito tempo, o que acontece porque, em consequência da modificação genética, o tomate produz uma quantidade inferior da substância que causa a sua degradação.
Vantagens:
- Uma vez que o tomate se mantém fresco durante mais tempo, pode deixar-se amadurecer ao sol antes de ser colhido, o que se traduz num tomate de melhor sabor;
- O tomate geneticamente modificado para maior duração aguenta um período de transporte mais prolongado, o que significa que os horticultores podem evitar colher o tomate ainda verde como forma de tolerar o transporte;
- Os produtores têm a vantagem de o tomate poder ser colhido todo ao mesmo tempo.
Desvantagens:
- O primeiro tomate geneticamente modificado desenvolvido por cientistas contém genes que o tornam resistente aos antibióticos. Os médicos e veterinários utilizam os antibióticos para combater as infecções. Se os genes transplantados se alastrarem aos animais e às pessoas, os médicos poderão vir a ter dificuldade em combater as doenças infecciosas. Hoje em dia, os cientistas podem modificar geneticamente o tomate sem introduzir genes para a resistência aos antibióticos.
Morangos, ananases, pimentos e bananas são outros exemplos de produtos alimentares geneticamente modificados pelos cientistas para se manterem frescos durante mais tempo.

segunda-feira, março 27, 2006

Colza resistente aos pesticidas

Os cientistas transferiram para a planta da colza um gene que lhe permite resistir a um certo pesticida. O gene é retirado de uma bactéria com capacidade de resistir aos pesticidas. Quando o agricultor pulveriza a cultura de colza com pesticidas, pode destruir a maior parte das pestes sem modificar as plantas de colza geneticamente modificadas.

Vantagens:
- O agricultor pode ter uma colheita maior porque é mais fácil combater as pestes.
- Em alguns casos, o agricultor pode utilizar um pesticida mais compatível com o ambiente.
- O agricultor poderá igualmente proteger o ambiente utilizando menos pesticida.
Desvantagens:
- Os genes da cultura de colza geneticamente modificada podem ser transferidos para as pestes. As pestes poderão tornar-se resistentes ao pesticida e a pulverização tornar-se inútil.
- A colza pode polinizar as ervas daninhas - por exemplo o navew, que se encontra nos campos de colza. Quando a colza poliniza, os seus genes são transferidos para o navew. Esta adquire então resistência aos pesticidas.

quinta-feira, março 23, 2006

Monsanto volta com a palavra atrás

A gigante brasileira da biotecnologia Monsanto quebrou a promessa feita em 1999 e anunciou que vai desenvolver a tecnologia Terminator para culturas não alimentícias como o algodão, tabaco, culturas farmacêuticas e grama. Há sete anos a multinacional havia declarado publicamente que não iria comercializar essa tecnologia, que produz plantas geneticamente modificadas para produzirem sementes estéreis. As sementes Terminator fazem parte das chamadas tecnologias genéticas de restrição de uso, que são uma forma de garantir a cobrança dos royalties e impedir a reprodução de sementes patenteadas, forçando os agricultores a comprar sementes todos os anos.
A mudança de postura da empresa Monsanto indica um acirramento do confronto com os movimentos de agricultura familiar, ambientalistas e populações indígenas. A entidade ambientalista Greenpeace faz parte de uma aliança global com mais de 300 organizações que exigem a manutenção da moratória. As sementes estéreis ameaçam a biodiversidade e podem destruir o modo de vida e cultura de 1,4 bilhões de pessoas ao redor do mundo que dependem da produção própria de sementes.

OGM prejudicam a saúde

Em Maio deste ano, a Comissão Europeia suspendeu a homologação de novas variedades de milho manipulado, na sequência da publicação de um artigo na revista "Nature", em que investigadores norte-americanos revelavam que o pólen de milho transgénico matou quase metade das borboletas-monarca de uma experiência. Não se trata de um facto isolado. É frequentemente citado, por exemplo, o caso de uma experiência escocesa em que joaninhas alimentadas com afídios que tinham crescido com batatas transgénicas, viram a sua média de vida reduzida a metade, além de terem posto menos ovos do que o normal. Numa outra experiência em que ratos foram alimentados ao longo de dez dias directamente com batatas transgénicas cozidas, as autópsias revelaram alterações altamente significativas do peso dos animais e alterações frequentes de órgãos ligados ao sistema imunitário, como o baço e o timo.Em termos de saúde - e sem dúvida, para nós, essa é uma questão fundamental - são muitas as dúvidas. Há exemplos de falhas graves - claro que pouco divulgados. Num documento conjunto da Quercus, Associação Nacional de Conservação da Natureza e Deco, Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, refere-se, nomeadamente, o caso de uma doença raríssima do sistema imunitário que atingiu vários milhares de pessoas, nos EUA, porque consumiram um suplemento alimentar produzido por uma empresa japonesa a partir de uma bactéria transgénica. Morreram 37.A possibilidade de reacções alérgicas ao emprego de transgénicos na alimentação ou mesmo do aparecimento de doenças novas, são preocupações frequentemente referidas.

quarta-feira, março 22, 2006

Existem transgénicos à venda em Portugal?

Sim, existem vários nos nossos supermercados. Mas quais? Aqui se encontra a grande dificuldade existente actualmente... a falta de rotulagem. Apesar de obrigatória por lei desde 1998 para produtos com modificação genética superior a 1%, é largamente desrespeitada e ambígua, não esclarecendo os consumidores nem assegurando o seu direito à escolha.
Sabe-se que já existem plantações de transgénicos em Portugal, tanto para fins comerciais (alimentação e rações de gado) como para testes. Mas o problema mais grave reside no facto de não existir fiscalização adequada para detecção de culturas transgénicas, sendo por isso impossível dizer qual a sua localização e a área que ocupam.